SHENZHEN, novembro [XX] — Outrora dominado por propriedades intelectuais ocidentais e japonesas, como Frozen da Disney e Meu Vizinho Totoro do Studio Ghibli, o mercado global de brinquedos está testemunhando uma força crescente: as propriedades intelectuais de animação chinesas. Impulsionados pela criação de propriedades intelectuais nacionais consolidadas e pela colaboração estratégica no exterior, os brinquedos com personagens de animação chineses estão ganhando popularidade em todos os continentes. Dados da Associação Chinesa de Brinquedos e Produtos Infantis (CTJPA) mostram que as vendas internacionais de brinquedos licenciados de propriedades intelectuais chinesas aumentaram 28% em 2024 em comparação com o ano anterior, atingindo US$ 4,3 bilhões — representando 12% do total das exportações de brinquedos da China. De brinquedos infantis como os Boonie Bears à épica ficção científica A Lenda de Hei (Ling Long), as propriedades intelectuais nacionais estão redefinindo a percepção dos consumidores globais de brinquedos por meio de modelos de licenciamento personalizados e estratégias de adaptação cultural.
A Ascensão dos Brinquedos com Propriedade Intelectual Chinesa: De Sucessos Nacionais a Jogadores Globais
A expansão global dos brinquedos baseados em propriedades intelectuais de animação chinesas é impulsionada por dois fatores principais: a maturidade da indústria de animação nacional da China e a crescente demanda global por conteúdo cultural diversificado. Na última década, a China investiu fortemente na produção de animação, com uma produção anual de séries animadas superior a 10.000 episódios e uma bilheteria de filmes de animação que ultrapassou os US$ 3 bilhões em 2024. Isso cultivou um conjunto de propriedades intelectuais de alta qualidade com fortes bases de fãs, prontas para adaptação internacional.
“Os compradores de brinquedos do mundo todo não estão mais procurando apenas Disney ou Pokémon — eles querem propriedades intelectuais (PIs) novas e culturalmente diversas que se conectem com o público local”, diz Zhang Wei, diretor sênior de licenciamento global da Fantawild Animation, o estúdio por trás dos Ursos Boonie. “As PIs chinesas oferecem narrativas e estilos visuais únicos, que se traduzem em brinquedos diferenciados que se destacam nas prateleiras das lojas.”
Os mercados internacionais responderam positivamente. No Sudeste Asiático, as vendas de brinquedos com propriedade intelectual chinesa cresceram 41% em 2024; na Europa e na América do Norte, as taxas de crescimento atingiram 22% e 18%, respectivamente, segundo a CTJPA. Esse crescimento não se resume apenas ao volume, mas também ao valor: brinquedos com licença de propriedade intelectual têm margens de lucro 30 a 50% maiores do que brinquedos genéricos, o que os torna uma prioridade para os exportadores chineses.
Estudo de Caso 1: Boonie Bears – Licenciamento voltado para a família para o mercado de massa
Como a propriedade intelectual de animação familiar de maior sucesso na China, Boonie Bears (que acompanha as aventuras de dois ursos e um lenhador) construiu uma rede global de licenciamento que abrange 130 países, tendo os brinquedos como sua principal categoria de produtos no exterior. Seu modelo de licenciamento se concentra em "localização + distribuição em massa", visando famílias de baixa e média renda e grandes varejistas.
No Sudeste Asiático, a Fantawild adotou um modelo de "licenciamento master" com parceiros regionais. Na Indonésia, firmou parceria com a distribuidora de brinquedos local KidsLand Vietnam para desenvolver em conjunto brinquedos dos Boonie Bears adaptados ao mercado: os bichinhos de pelúcia dos personagens principais (Briar e Bramble) foram confeccionados com tecidos mais vibrantes para combinar com as preferências de cores locais, e as pequenas figuras de plástico incluíam acessórios tradicionais indonésios, como chapéus com estampa batik. Essas adaptações ajudaram os brinquedos dos Boonie Bears a conquistar 8% do mercado de brinquedos licenciados da Indonésia em 2024, com vendas que atingiram US$ 12 milhões.
Para os mercados ocidentais, a Boonie Bears focou na sinergia entre o filme e o brinquedo. Os filmes de animação da propriedade intelectual foram lançados em 50 países europeus pela Netflix e cinemas locais em 2023, e a Fantawild fez parceria com o Walmart e o Carrefour para lançar uma linha de brinquedos sincronizada com os lançamentos dos filmes. A linha incluía mais de 30 produtos, desde quebra-cabeças 3D até brinquedos de pelúcia interativos que repetem frases em inglês e espanhol. No Reino Unido, os brinquedos da Boonie Bears venderam 200.000 unidades em seis meses, impulsionados por promoções de volta às aulas e campanhas nas redes sociais com influenciadores digitais.
“Nosso objetivo é fazer com que Boonie Bears se torne um nome conhecido por todos, e não apenas uma propriedade intelectual chinesa”, explica Zhang Wei. “Ao trabalhar com distribuidores locais e alinhar os lançamentos de brinquedos com os lançamentos do filme, transformamos espectadores casuais em compradores de brinquedos.”
Estudo de Caso 2: A Lenda de Hei (Ling Long) – Licenciamento de Nicho para Colecionadores Adultos
Diferentemente de Boonie Bears, The Legend of Hei (uma animação de ficção científica voltada para o público de 18 a 35 anos, conhecida como Ling Long em alguns mercados) adotou um modelo de licenciamento de "nicho premium", com foco em brinquedos colecionáveis de alta qualidade e parcerias com marcas globais especializadas. Essa estratégia atende à forte demanda dos mercados ocidentais por animações voltadas para adultos e produtos colecionáveis.
Na América do Norte, o estúdio de animação de A Lenda de Hei, Haoliners Animation, firmou um acordo de sublicenciamento com a Funko, empresa americana famosa por suas figuras de vinil da cultura pop, para criar uma linha de figuras colecionáveis de 15 centímetros. As figuras apresentam os personagens icônicos da franquia (Hei e Xiao Hei) com texturas detalhadas e cores em edição limitada (por exemplo, uma versão que brilha no escuro, exclusiva da Comic-Con). A linha esgotou em 48 horas após seu lançamento na San Diego Comic-Con de 2024, gerando uma receita de US$ 1,5 milhão.
Para o mercado japonês, a Haoliners fez uma parceria com a Medicom Toy, uma importante fabricante japonesa de brinquedos especializada em figuras de alta qualidade, para criar em conjunto uma figura de 30 cm do Hei, da linha "Real Action Heroes". A figura incluía peças intercambiáveis e uma base personalizada inspirada na visão de mundo pós-apocalíptica da franquia, com preço de ¥28.000 (US$ 190). Ela se tornou um sucesso de vendas na categoria de brinquedos colecionáveis da Amazon Japão, com 5.000 unidades vendidas no primeiro mês.
“A força de A Lenda de Hei reside em sua visão de mundo profunda e personagens complexos — isso atrai colecionadores adultos que valorizam a narrativa acima da mera fofura”, diz Li Jia, gerente global de licenciamento da Haoliners. “Ao firmarmos parcerias com marcas que entendem o mercado de colecionáveis, evitamos diluir o valor da propriedade intelectual e construímos uma fidelidade duradoura dos fãs.”
Adaptação Cultural: Superando Diferenças para Conquistar Fãs Globais
As diferenças culturais representam o maior desafio para os brinquedos de propriedade intelectual chinesa que chegam ao exterior, mas as marcas de sucesso desenvolveram estratégias de adaptação específicas.
Ajuste de conteúdo para valores locais
Em países de maioria muçulmana, como Malásia e Indonésia, a Boonie Bears adaptou o design de seus brinquedos para respeitar a cultura local: as roupas da personagem feminina Luna foram modificadas para incluir mangas compridas e um lenço na cabeça em algumas versões de pelúcia, e as embalagens dos brinquedos removeram as imagens dos personagens comendo carne de porco (um tema sensível nas culturas islâmicas). Essas mudanças ajudaram a marca a obter a aprovação das autoridades religiosas locais e a entrar em grandes varejistas como a Tesco Malásia.
Na Europa, a série animada "A Lenda de Hei" suavizou algumas cenas violentas em seu conteúdo (transmitido pela Crunchyroll) para atender às classificações indicativas da UE, o que, por sua vez, tornou sua linha de brinquedos mais aceitável para os varejistas convencionais. Por exemplo, uma espada de brinquedo inspirada na propriedade intelectual foi redesenhada com uma ponta arredondada, evitando a classificação como "arma perigosa" segundo os padrões de segurança de brinquedos da UE.
Marketing localizado: fale a língua do seu público.
O marketing digital tem sido fundamental para superar as diferenças culturais. No TikTok, as contas da Boonie Bears no Sudeste Asiático publicam vídeos curtos de crianças locais brincando com os brinquedos, dublados em malaio e tagalo, com hashtags como #BoonieBearsMalaysia. Esses vídeos geraram mais de 50 milhões de visualizações, representando 30% das vendas nas lojas da região.
Para The Legend of Hei, o Instagram e o YouTube são os principais canais de marketing. A conta global da propriedade intelectual faz parceria com influenciadores digitais ocidentais de anime (como Gigguk e The Anime Man) para analisar seus brinquedos colecionáveis, com foco em detalhes de design e na história da franquia. Uma análise do boneco Funko feita por Gigguk no YouTube recebeu 1,2 milhão de visualizações, resultando em um aumento de 40% nos pedidos online.
Fora do mundo virtual, ambas as propriedades intelectuais aproveitam convenções globais de quadrinhos para se conectar com os fãs. A Boonie Bears montou estandes interativos na Singapore Comic Con 2024, onde as crianças podiam tirar fotos com mascotes em tamanho real de Briar e Bramble e receber amostras grátis de brinquedos. A Lenda de Hei promoveu uma sessão de compartilhamento de universo na Paris Comic Con, convidando o diretor da propriedade intelectual para explicar sua história aos fãs europeus — aumentando as pré-vendas de sua futura linha de brinquedos em 25%.
Desafios e Perspectivas Futuras
Apesar dos avanços, os exportadores chineses de brinquedos com propriedade intelectual enfrentam obstáculos: forte concorrência de marcas ocidentais e japonesas, altos custos de localização e proteção inconsistente da propriedade intelectual em alguns mercados emergentes. Por exemplo, na Índia, os brinquedos de pelúcia falsificados da marca Boonie Bears representam 15% do mercado, impactando negativamente as vendas oficiais.
Para lidar com essas questões, o governo chinês intensificou o apoio: o Ministério do Comércio lançou um “Plano de Promoção de Exportação de Propriedade Intelectual” em 2024, oferecendo subsídios para o registro de propriedade intelectual no exterior e assistência jurídica contra a falsificação. Enquanto isso, as empresas estão investindo na cocriação de propriedade intelectual com parceiros locais — a Fantawild está desenvolvendo em conjunto uma nova série animada com um estúdio tailandês, apresentando tanto personagens dos Boonie Bears quanto figuras da mitologia tailandesa, para aprofundar a ressonância local.
Olhando para o futuro, especialistas do setor preveem que os brinquedos com propriedade intelectual chinesa se expandirão para categorias mais específicas (por exemplo, brinquedos com realidade aumentada, produtos ecológicos com propriedade intelectual) e explorarão mercados emergentes como o Oriente Médio e a África. "Nos próximos cinco anos, as propriedades intelectuais chinesas passarão de 'estar presentes' para 'ser amadas' globalmente", afirma Sarah Lee, analista sênior da Euromonitor International. "A chave é equilibrar a autenticidade cultural com a adaptação local — mantendo o que torna a propriedade intelectual única, ao mesmo tempo que a torna acessível ao público global."
À medida que Boonie Bears e A Lenda de Hei continuam a inovar, abrem caminho para que mais propriedades intelectuais de animação chinesas transformem seus fãs globais em compradores fiéis de brinquedos. Para a indústria global de brinquedos, essa mudança significa mais diversidade, mais inovação e uma nova era de intercâmbio intercultural impulsionado por propriedades intelectuais.
Data da publicação: 20 de setembro de 2025