Os interesses da China no Oriente Médio estão sob pressão: segurança energética e operações comerciais em risco.

Jiangxi, 11 de março de 2026 – Com a escalada da crise no Oriente Médio, a China vê seus substanciais interesses econômicos e estratégicos na região cada vez mais vulneráveis. Da segurança energética às operações de empresas de tecnologia, o conflito apresenta múltiplos desafios que Pequim agora é obrigada a enfrentar.

Segurança energética na mira
O Estreito de Ormuz, atualmente fechado à navegação, transporta aproximadamente um quinto do consumo mundial de petróleo — cerca de 18 a 19 milhões de barris diários de petróleo bruto e condensado. Para a China, o maior importador de petróleo do mundo, isso representa uma vulnerabilidade crítica.

"Se este conflito se prolongar, os preços do petróleo permanecerão altos por um longo período, podendo desencadear expectativas de estagflação que poderiam abalar os mercados financeiros e as economias globais além do previsto", alertou Zhang Bin, conselheiro político nacional e vice-diretor do Instituto de Economia Mundial e Política da Academia Chinesa de Ciências Sociais.

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Uma análise do Morgan Stanley sugere que os produtores do Golfo do México têm capacidade de armazenamento em terra para apenas cerca de 25 dias de produção retida. Se o Estreito permanecer fechado por mais tempo, os cortes na produção se tornarão inevitáveis. Para a China, fortemente dependente do petróleo do Oriente Médio, esse cenário representa riscos significativos de abastecimento.

Operações do setor de tecnologia suspensas
O conflito obrigou diversas empresas de tecnologia chinesas a suspenderem suas operações em toda a região. As empresas de direção autônoma, que haviam se concentrado nos países do Golfo como campos de teste ideais, foram particularmente afetadas.

A WeRide, uma startup de direção autônoma com sede em Guangzhou, suspendeu suas operações de Robotaxi em Dubai imediatamente após a escalada do conflito. Os quase 100 funcionários da empresa na região passaram a trabalhar em casa, e os veículos foram guardados em local fechado para armazenamento seguro.

O serviço comercial de condução autônoma Apollo, da Baidu, lançado em Abu Dhabi há apenas dois meses, em janeiro de 2026, sofreu interrupções temporárias. Embora parcialmente restabelecido, seus programas de teste em Dubai permanecem suspensos.

Mesmo empresas com presença regional significativa estão agindo com extrema cautela. A Midea, que considera o Oriente Médio um mercado externo fundamental, com escritórios em Riad, Dubai e Doha, transferiu todos os seus funcionários locais para o trabalho remoto.

Negociações de investimento atrasadas
A crise lançou uma sombra sobre os fluxos de investimento transfronteiriços. Vários investidores chineses suspenderam as negociações para aquisições de ativos de infraestrutura e energia no Oriente Médio, segundo a Reuters. Um banqueiro de investimentos baseado em Hong Kong observou que os bancos agora exigem avaliações de segurança completas antes de permitir que seus funcionários viajem para a região, criando "atrasos significativos" nas visitas mútuas entre investidores do Oriente Médio e empresas chinesas em busca de financiamento.

Fred Hu, presidente do Primavera Capital Group, ofereceu uma perspectiva ponderada: embora o conflito perturbe os fluxos de capital de curto prazo e as negociações de investimento, é "improvável que tal interferência interrompa, muito menos reverta", o aprofundamento da relação de investimento entre as duas regiões.

Custo Humano
A dimensão humana não pode ser ignorada. Até 2 de março, mais de 3.000 cidadãos chineses haviam sido evacuados do Irã. Um cidadão chinês perdeu tragicamente a vida no conflito militar. O Ministério das Relações Exteriores da China emitiu repetidos alertas, instando os cidadãos a deixarem as áreas afetadas.

Restrição Estratégica
Apesar dessas pressões, analistas esperam que a China mantenha a contenção estratégica. Hu Chunchun, diretor do Instituto de Estudos Europeus da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, observou em entrevista à mídia alemã que, embora o Irã tenha importância estratégica nos cálculos econômicos regionais da China, é altamente improvável que Pequim intervenha militarmente em um confronto direto.

"A China raramente participa de conflitos no exterior por meios militares e não costuma usar a força militar para influenciar situações regionais", explicou Hu. A "parceria estratégica abrangente" com o Irã representa uma plataforma de cooperação, e não uma aliança militar com obrigações de defesa coletiva.

Perspectivas de longo prazo
A crise pode levar as empresas chinesas a reavaliarem suas estratégias regionais. "As empresas devem diversificar sua presença no mercado internacional e evitar concentrar seus negócios em países ou regiões específicos", aconselhou Cai Shixuan, fundador da empresa de consultoria estratégica para o Oriente Médio Invest MENA. "Investir tudo em um único mercado representa uma estratégia de alto risco".

Ainda assim, o otimismo em relação ao potencial de longo prazo da região permanece. A Midea observou que os países do Golfo, particularmente as nações ricas em petróleo, mantêm fundamentos sólidos de crescimento da demanda, com a empresa já consolidada como uma marca líder em eletrodomésticos na região.

Como observou um analista, o conflito pode estar "remodelando o rumo da internacionalização das empresas chinesas, transformando o risco geopolítico de um ruído de fundo em uma tempestade incontrolável que afeta diretamente a estratégia de negócios. A resposta mais direta a essa imprevisibilidade ainda pode ser a diversificação".


Data da publicação: 11/03/2026