Crise no Oriente Médio paralisa o comércio: navios de carga ficam retidos e clientes inacessíveis.

Jiangxi, 6 de março de 2026 – A escalada do conflito militar no Oriente Médio representou um duro golpe para o comércio global, com empresas de comércio exterior enfrentando uma crise sem precedentes, à medida que as redes logísticas param e os clientes desaparecem dos canais de comunicação.

A crise se agravou drasticamente em 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel lançaram ataques militares contra o Irã. Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz — a via navegável mais importante do mundo para o comércio e a energia, que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. Em poucos dias, o Porto de Jebel Ali, nos Emirados Árabes Unidos, o maior porto de contêineres do Oriente Médio, suspendeu suas operações, seguido por interrupções semelhantes no Porto de Dammam, na Arábia Saudita.

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Redes logísticas rompidas
O impacto no transporte marítimo foi imediato e devastador. Grandes transportadoras, incluindo a Mediterranean Shipping Company (MSC), a Maersk e a Hapag-Lloyd, suspenderam os serviços de reserva para a região do Oriente Médio. Navios que já estavam a caminho permanecem retidos no mar ou estão sendo desviados ao redor do Cabo da Boa Esperança, acrescentando semanas aos cronogramas de entrega.

"Temos contêineres presos no armazém do agente de carga, sem como enviá-los", lamentou Li Haoyang, um vendedor de comércio eletrônico transfronteiriço focado no mercado do Oriente Médio. "Os portos de Jebel Ali e Dammam — os principais centros da região — estão fechados. Mesmo que quiséssemos enviar, não há para onde as mercadorias irem."

O transporte aéreo de cargas não teve melhor sorte. Vários países do Oriente Médio, incluindo Irã, Israel, Emirados Árabes Unidos, Catar e Kuwait, fecharam seu espaço aéreo. O Aeroporto Internacional de Dubai, um centro global de cargas, registrou cancelamentos em massa de voos. As tarifas de frete aéreo dispararam de 35 RMB por quilograma para mais de 55 RMB, com preços variando diariamente.

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Clientes perdidos, pedidos cancelados
A dimensão humana da crise é igualmente preocupante. Gu Peng, diretor de mercado de uma empresa de robótica em Guangdong, descreveu o completo bloqueio de comunicação com clientes do Oriente Médio. "Não conseguimos contatar nenhum cliente na região — nem para discussões comerciais, nem mesmo para um simples cumprimento. Todas as nossas mensagens, seja por e-mail comercial ou aplicativos de redes sociais, não receberam resposta."

O momento não poderia ser pior. O início de março representa o auge dos preparativos para o Eid al-Fitr, a temporada de compras mais importante da região, comparável ao Natal no Ocidente. Comerciantes que

Os estoques acumulados em janeiro agora encontram suas mercadorias retidas em portos ou aeroportos, sem conseguir chegar aos armazéns antes da correria das festas de fim de ano.

A volatilidade cambial agravou a situação. Li Haoyang relatou que uma remessa com destino ao Iraque permanece no mar, enquanto o pagamento foi totalmente cancelado — o dinar iraquiano despencou tanto que os clientes locais "simplesmente não têm mais condições de pagar em dólares".

Os impactos secundários aumentam
A crise desencadeou uma série de efeitos secundários. As seguradoras suspenderam a cobertura de cargas que transitam pela região, deixando os proprietários das cargas expostos ao risco de perda total. As companhias de navegação impuseram sobretaxas de conflito emergencial (ECS, na sigla em inglês) que variam de US$ 2.000 a US$ 4.000 por contêiner, aumentando drasticamente os custos.

Mesmo o transporte terrestre, inicialmente visto como uma alternativa viável, enfrenta obstáculos crescentes. Embora as rotas rodoviárias pela Ásia Central permaneçam tecnicamente operacionais, as seguradoras deixaram de cobrir mercadorias em trânsito pelo Irã e áreas adjacentes. Essa barreira psicológica aumentou o limite para novos pedidos.

"O comércio entre empresas (B2B) foi o mais afetado", observou um executivo de uma plataforma B2B. "Os vendedores B2C ainda podem trabalhar por meio de plataformas sem contato direto com o cliente. Mas o B2B depende de conexões pessoais, reuniões presenciais em feiras comerciais, visitas a fábricas e contratos assinados. Quando os clientes estão em uma zona de guerra, toda essa cadeia entra em colapso."

Esperando e Observando
Por enquanto, a maioria dos comerciantes não tem outra opção senão esperar e observar. Alguns estão explorando rotas alternativas — enviando primeiro para os portos relativamente estáveis ​​de Omã e, em seguida, transbordando por terra para outros países do Golfo. Outros se voltaram para os mercados europeu e americano como substitutos temporários.

"Estamos pedindo a todos que mantenham a calma", disse um executivo de logística. "Essa situação provavelmente não vai durar para sempre. Os vendedores podem perder o período de pico da temporada, mas não todo o mercado. O importante é manter a estabilidade enquanto a tempestade passa."

Como observou filosoficamente um comerciante: "Quanto maiores as ondas, mais valioso o peixe – mas apenas se você conseguir manter seu barco estável durante a tempestade".


Data da publicação: 06/03/2026